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11 outubro, 2014

Frase da Semana

"Não importa o quão divertida ou inocente seja a brincadeira. Alguém sempre vai levar a sério o que não deveria."
- Anônimo

07 outubro, 2014

MEUS VINTE CENTAVOS SOBRE AS ELEIÇÕES

"Discute-se a democracia com o mesmo temor velado com o qual falava-se de religião."

A democracia no Brasil ainda não deu certo.

O que mais me fascina no processo eleitoral brasileiro é o fato de que os eleitores militam na internet, em ambos os extremos do picadeiro político, alegando motivos para não votar nos candidatos opositores aos seus. Sem darem-se conta de que isso jamais vai influenciar alguém com uma posição pré-formulada e contrária a mudar de opinião.

Chovem ofensas à PTralhas e tucanos, à coxinhas e analfabetos, à maconheiros e gayzistas, à crentes e neoliberais, à comunas e burgueses, sem efeito prático absolutamente nenhum. Exceto, talvez, o de empestear as redes sociais com uma espécie de ufanismo e ativismo tão vazio, que após algumas semanas evapora e volta a chover sob a forma de resultados do brasileirão, comentários sobre novela, vídeos de gatinhos e outras manifestações politizadas.

O que muitos não entendem, é que xingar o candidato da oposição e listar uma centena de motivos para não votar nele não vai mudar em NADA as opiniões das pessoas que leem estes textos, não importa o quão convincentes e/ou factíveis eles são. E isso se dá por 4 motivos muito peculiares:

1- O TÍPICO "FACEBOOKER" NÃO SABE O QUE FALA

Sim, por mais duro que seja constatar isso (e fazer parte disso, na grande maioria das vezes), a verdade é que os usuários ativos de redes sociais muitas vezes possuem um nível de instrução incompatível com a visão que possuem de si mesmos. Isso não quer dizer que sejam sempre ignorantes ou pouco instruídos, mas sim que, em sua maioria, flutuam sobre uma margem extremamente rasa de informações às quais se apegam para construir seu repertório político.

Vejo diariamente dezenas de pessoas em meu mural compartilhando vídeos, listas, infográficos e reportagens cujas fontes muitas vezes não possuem o mínimo de credibilidade (reflexo direto da banalização da autoridade informativa e, a grosso modo, da deterioração da qualidade jornalística do país). E, posteriormente, pautando seus argumentos com base nas "verdades" seletas que lhes são convenientes, sem pesar a qualidade da informação.

O típico usuário de mídia social é um intelectual fajuto, que nunca leu nada de fora de sua alçada profissional, mas após 3 ou 4 artigos de blogs (de blogueiros tão rasos quanto) age como entendido de assuntos polêmicos e complexos. E, para piorar, faz questão de perpetuar tal postura ao compartilhar suas opiniões fundamentadas em pseudo-ciências.

(Algo que, inconvenientemente, pode servir como uma carapuça para minha própria pessoa ao escrever sobre todos estes tópicos. Mesmo com todos os meus esforços pessoais de me informar antes de redigi-los e de tentar manter a coerência deles).

2- O BRASILEIRO NÃO SABE VOTAR

Quando foi a última vez em que você leu com detalhes todas as propostas de leis ou planos de governo dos candidatos em quem votou? E quando foi que procurou se informar sobre os crimes, condenações e acusações deles? E sobre suas obras e benfeitorias?

Podemos ir mais além, e é aí que entra o ponto crucial de um sistema democrático de eleição de representantes: quando foi a última vez em que você comparou as propostas, acusações e benfeitorias de outros candidatos em relação ao seu preferido? Quando, de fato, pesou as opções que tem disponível, sem pautar-se no favoritismo passional por partidos e/ou figuras carismáticas que aparecem na televisão?

Defender e votar às cegas em alguém que você elegeu como preferido é muito fácil. Mas sair da zona de conforto de apoiar uma legenda partidária apenas por simpatia, ao deparar-se com os podres inerentes à ela, é dar sentido ao verdadeiro poder da democracia. Votar consciente é saber em quem e no que se está votando, e também o porquê de estar votando naquela opção.

Se você é incapaz de criticar seu próprio partido/candidato preferido e/ou até mesmo mudar de opção devido a uma análise racional de panorama político, então você está votando errado. O voto não deve ser apenas uma manifestação sentimental de preferências idealistas, ele deve ser uma ferramenta cívica de promoção de mudanças racionais. Ele tem que ser útil e prático, ou jamais terá clareza.

Não se deve votar no candidato que você mais gosta. Mas sim naquele que faz mais sentido. E para isso é preciso analisar friamente cada uma das opções, compará-las e, se necessário, mudar de opinião.

3- OS ARGUMENTOS POLÍTICOS SÃO INEFICIENTES

Um dos contrapontos mais delicados dentro da discussão política num meio democrático impessoal, como a internet, é a prevalência da retórica em detrimento da dialética. Tenta-se convencer e subjugar ao invés de somar conhecimentos e discorrer sobre um assunto.

A grande maioria dos militantes de Facebook, com suas ações absolutamente ineficientes (torno a reafirmar), limita-se a espernear em seu próprio mural berrando suas intenções de votos abertamente e ofendendo os candidatos concorrentes.

Ora, basta pensar (e eu digo "pensar" no sentido mais puro da palavra) um pouco para perceber que o único resultado prático disso é incomodar outras pessoas, mesmo as que possuem o mesmo ideal político.

Como apontado anteriormente, o brasileiro vota com o coração (ou muitas vezes com o reto) e não com o cérebro. E isso faz dele um apaixonado por seus candidatos, por suas causas, pelas cores do partido, pelo jingle da campanha... Por tudo o que não importa em definitivo. E vocês sabem o que dizem sobre falar mal das paixões alheias...

Esta é a retórica vazia das mídias sociais. Não há vencedor pelo simples fato de que não há o que vencer. Só há gritaria. Nenhum ser humano dotado de plenas faculdades mentais mudaria suas opiniões, tão bem formuladas com informações de blogs vagabundos, simplesmente porque alguém vomitou argumentos contrários à elas em sua cara. Ainda mais se este for um apaixonado por tais opiniões, sem nem entender o que elas significam.

O ideal seria que houvesse uma soma. Um diálogo, como o próprio termo diz. Onde cada indivíduo tivesse a abertura intelectual para ouvir os argumentos opostos à realidade em que acredita e pudesse assimilar de modo eficaz tais dados. Com a finalidade de poder conjecturar uma mudança racional de opinião ou não.

Então, lamento lhes dizer, mas infelizmente aqueles 2546 motivos para não votar em Fulano não funcionam para influenciar o voto de ninguém. E não adianta nada depois dizer coisas como "Não acredito como alguém esclarecido é capaz de votar em Beltrano", pois, na cabeça dos demais, eles pensam exatamente a mesma coisa que você.

Olha só quanta gente esclarecida...

4- AS ELEIÇÕES NO PAÍS SÃO OBRIGATÓRIAS

Por fim, chegamos ao motivo final (mas não menos importante): todos nós só fazemos esse papel patético porque, a grosso modo, somos obrigados a fazê-lo.

Não, não estou tentando eximir ninguém da culpa de ser ignorante, ou de se apaixonar pelo candidato/partido, ou pela falta de cultura e educação do sistema básico de ensino do país. Só estou dizendo que a obrigatoriedade do voto é um problema e tanto. E é fácil entender os motivos.

Você é obrigado, de 2 em 2 anos, a sair de sua casa em um domingo de manhã para ir até um colégio eleitoral, entupido de outras pessoas com a mesma disposição enfadonha que você, para esperar por horas em pé em uma fila e finalmente poder digitar algumas sequências de números em uma caixinha de música que mais parece um telefone com tela rodando MS DOS. O telefone faz barulhinho, você fica satisfeito, a tela indica FIM e você volta para casa. Vai passar o resto do dia berrando no Facebook e torcendo com a televisão ligada para que seu candidato do coração ganhe no primeiro turno. Se ele ganhar você pode ir para a avenida principal de sua cidade, ficar mais duas horas preso no trânsito, ouvindo o mesmo jingle que ouviu a campanha inteira, e buzinas... muitas buzinas.

Que lindo imbecil você é. Você jogou um dia de folga previsto por lei para executar um dever cívico (que deveria ser um direito), apertando botões em uma caixinha 100% passível de fraude, para fazer um favor à um estranho que nunca verá pessoalmente na vida, para que ele ganhe R$ 78.000,00 mensais (verba de gabinete de um deputado federal) e compareça no trabalho apenas algumas míseras vezes por semana. Ah, e para que ele se limite a assistir outras pessoas a discutir assuntos que não dizem o menor respeito à você.

Em suma, o candidato que você foi obrigado a eleger não te representa. Ele nem sequer sabe que você existe e você provavelmente não leu nada do que ele propôs em seu plano de candidatura. Além do que, dificilmente ele irá cumprir o que prometeu. Então por que você teve que ir lá, naquele maldito domingo, fazer o favor de dar todas essas regalias pra ele?

Se o voto não fosse obrigatório, palhaço, ex-BBB ou jogador de futebol nenhum teria o poder de tirar você de sua casa para votar, se não o quisesse. Você provavelmente só sairia de casa por um bom motivo. Só pegaria filas em um domingo de manhã por uma esperança racional de mudanças para melhor, por uma defesa coerente dos interesses que te representam.

Mas você não tem escolha, tem? Vivemos no Brasil e você tem orgulho de ser brasileiro.

Vai ser obrigado a escolher e votar em um candidato do coração. Vai se informar sobre os podres dos concorrentes no Twitter e nos blogs. Vai falar mal de PTralhas e tucanos nas redes sociais, sem convencer ninguém, sem sequer ser ouvido.

E assim as coisas continuarão sem dar certo. Por mais 2, 4, 6 e 50 anos.

Viva a democracia!

02 outubro, 2014

Antagonismo

"Quando finalmente morre a esperança, prevalece a humanidade."
- Kalahedaran: A Cidade dos Condenados

27 agosto, 2014

Encontros

A primeira vez em que a vi foi em um sonho de anos atrás. Muito, muito antes do nosso terceiro e derradeiro encontro, pessoalmente. E por mais que minha memória embace os detalhes de seus traços, eu sei que era ela.

No primeiro sonho ela vinha até mim, como se me conhecesse de muito tempo. Estávamos os dois em um ônibus, sentados lado a lado - ou em pé, próximos... não importa - e foi ela quem falou comigo. Disse trivialidades, sorriu e riu. Me inundou com o sol em seus cabelos e afogou com o azul cristalinos dos olhos. E me marcou pra sempre com o único elemento nítido do sonho de quase 4 anos atrás:
"Até que enfim você me achou! Faz tempo, heim?"

O resto do sonho não importa agora e creio que não importava na época. Ela surgiu e disse ao que veio. Me marcou. Mostrou que existia. Minha dama onírica.

Dois anos depois ela apareceu outra vez. Estávamos em um casamento, novamente em um sonho. Vestida de branco, ela reforçava ainda mais a luminosidade da pele e da face. Mas para o meu absoluto alívio, não era ela a noiva. Embora estivesse acompanhada.
"Oi. Lembra de mim? Do ônibus!"

Sim, eu lembrava. Claro que lembrava. Nunca lembrei com tamanha nitidez do perfume de alguém que nunca habitou meu mundo desperto. Meu delírio íntimo e utópico. De seios fartos e ombros perfeitos.
"Pois é... Estou namorando. Você tá sempre com alguém, então não pude esperar... Mas quem sabe um dia..."

Eu não a pude odiar mesmo após ouvir isso. Ela estava certa, eu sempre tive alguém. Meu anjo de duas asas direitas, de pele cinza e olhar triste. A pessoa que eu precisava libertar e que sofrera por minha causa sem que eu jamais entendesse o início de tudo. O amor que não era paixão, mas sim um misto incompreensível de zelo, compaixão e sofrimento. Não era a hora.

E o sonho rodopiou e esticou e sumiu. E as lembranças ficaram.

Depois vieram outros anos. Pesadelos com conflitos, perdas e becos sem saída. Certezas de adulto e medos de menino. A minha inalcançável Esquina e seu poste unificador de mundos. Os males do dinheiro e a sede por luxúria. O temor de estar sempre errado e o silêncio derradeiro da voz interior, como se Deus tivesse ficado quieto.

Vieram coisas, sim. E dentre elas os riscos tomados voluntariamente. Alguns pensados, outros totalmente impulsivos. Formas de encontrar a mim mesmo. O Solar. Meu labirinto pessoal e fonte de luz incomparável. Signo.

E, quando tudo parecia apenas uma memória pálida, forçosa apenas nas raríssimas perguntas sobre os sonhos mais estranhos que já tive, ela ressurgiu. Definitiva - assim espero - e encarnada.

Fui eu quem a abordei dessa vez. Digitalmente. Eu quem cheguei e provoquei, como um louco com falas ensaiadas de um monólogo que nunca funcionaria à dois. Mas a peça foi perfeita. E embora ela não tenha me reconhecido, eu a vi como ela era.

Seu cabelo, naturalmente dourado, estava rubro. Os olhos mantiveram-se fiéis, tal qual o aroma. A idade mais tenra - algo inesperado, mas intrigante. A voz e a fisionomia, que outrora foram fantasmais e indefinidas, me pareceram familiar. E isso bastava. Este novo sol não era perfeito e nem simétrico, mas ainda assim brilhante o bastante para ofuscar e esquentar todas as imperfeições desnecessárias. Ela era o meu Solar. A luz, a casa, o agir sozinho acompanhado.

E nesta terceira vez nós saímos juntos no mundo real. Senti seu beijo, inventei motivos desnecessários para me recostar nela e tocar sua mão. E eu a vi por inteiro pela primeira vez, morrendo de medo de ser apenas um sonho.
"Você não é real..."

E talvez ela não seja. E talvez eu sofra como um desgraçado por encarar o sol onírico pessoalmente na vida desperta.

Mas desta vez eu não ligo. Dormindo ou acordado, esta não é uma época de noite e de pesadelos.

Espero que este dia brilhe como um solstício de verão.

11 agosto, 2014

Mimese

Havia, naquela cidade chamada Londrina, um autor que nunca terminava nada do que

08 agosto, 2014

Techo Solto

"E na terceira noite de solidão, alçou voou pela noite cinza. Vislumbrando tocar estrelas e desfazer-se de memórias mofadas. Tão insólito e fascinante quanto um zeppelin de Lázaro."